Na medicina não existe um órgão chamado alma - tempo, tecnologia e o aprendizado contínuo em 2025

Anderson Previatti • 31 de dezembro de 2025

Compartilhe o conteúdo.

Na medicina, não existe um órgão chamado alma.


Não há um exame que aponte sua localização, nem um laudo que descreva sua função.


Ainda assim, qualquer profissional de saúde sabe que ela existe.


Está presente no olhar de quem aprende, na angústia de quem erra, na esperança de quem evolui.


A ciência não a nomeia, mas a experiência a confirma.


Ao longo de 2025, essa constatação tem se tornado cada vez mais clara também no mundo da tecnologia.


Em meio a códigos, sistemas, inteligência artificial e automações, seguimos lidando com algo que não está documentado em nenhuma API, mas que move tudo isso: o sentimento humano de aprender, evoluir e tentar acompanhar o tempo.


O tempo não desacelera para ninguém

O tempo sempre foi implacável, mas nunca pareceu tão acelerado.


Em poucos anos, vimos a transição de sistemas locais para a nuvem, de softwares monolíticos para arquiteturas distribuídas, de linhas de código escritas à mão para sugestões automáticas geradas por IA.


Em 2025, a sensação é de que tudo acontece ao mesmo tempo.


Assim como na medicina, onde o corpo envelhece mesmo quando a mente ainda se sente jovem, na tecnologia o conhecimento envelhece rapidamente.


Linguagens mudam, frameworks evoluem, conceitos se renovam.


O que ontem era referência, hoje já exige revisão.


E isso não é um problema técnico, é um desafio humano.


Aprender deixou de ser uma etapa e passou a ser um estado permanente.


Não existe mais um ponto de chegada confortável. Existe apenas movimento.


Software também carrega intenção

Embora software seja feito de lógica, regras e estruturas, ele nunca foi neutro. Todo sistema carrega a intenção de quem o construiu.


Há softwares frios, feitos apenas para funcionar. E há softwares que revelam cuidado, organização e respeito pelo usuário.


Em 2025, com a explosão de ferramentas baseadas em inteligência artificial, essa diferença ficou ainda mais evidente. Sistemas podem ser criados mais rápido do que nunca, mas velocidade não garante maturidade.


Um software pode estar tecnicamente correto e ainda assim ser vazio de propósito.


Assim como o corpo humano não se resume à soma de seus órgãos, um sistema não se resume à soma de suas funcionalidades. Existe algo intangível ali. Uma coerência.


Uma ética.


Uma responsabilidade. Talvez não seja alma no sentido literal, mas é algo que não se mede em linhas de código.


O aprendizado como experiência emocional

Aprender tecnologia nunca foi apenas memorizar comandos ou entender sintaxe.


Sempre envolveu frustração, curiosidade, tentativa e erro.


Em 2025, isso se intensificou.


A inteligência artificial responde rápido, sugere caminhos, antecipa soluções.


Mas ela também expõe nossas lacunas com mais clareza.

Há um sentimento estranho em aprender com IA.


Ao mesmo tempo em que ela acelera o entendimento, também nos obriga a refletir sobre o que realmente sabemos.


Quando a resposta vem pronta, o desafio deixa de ser encontrar a solução e passa a ser compreendê-la.


Esse processo mexe com algo profundo. Não é apenas técnico.


É emocional. É o mesmo desconforto de um estudante de medicina diante do primeiro diagnóstico difícil.


A informação está ali, mas a responsabilidade de entender e decidir continua sendo humana.


2026 e o excesso de informação

Se 2025 foi o ano da consolidação da IA no cotidiano, 2026 se anuncia como o ano dos novos desafios. Não por falta de tecnologia, mas pelo excesso dela.


Nunca tivemos tanta informação disponível, tantos modelos, tantas promessas de automação e eficiência.


O risco não está em não saber usar IA, mas em se perder no meio de tantas possibilidades.


Assim como na medicina o excesso de exames não substitui um bom diagnóstico clínico, na tecnologia o excesso de ferramentas não substitui pensamento crítico.


Será cada vez mais necessário filtrar, escolher e dizer não.


Nem toda solução precisa de IA. Nem todo problema é técnico. Nem toda inovação é progresso.


Onde a alma entra nessa história

Se na medicina não existe um órgão chamado alma, talvez seja porque ela não pertence a um lugar específico.


Ela se manifesta na forma como lidamos com o tempo, com o aprendizado e com a responsabilidade de criar algo que impacta outras pessoas.


Na tecnologia, a alma aparece quando alguém decide entender antes de automatizar.


Quando prefere construir algo sólido em vez de apenas rápido.


Quando reconhece que, por trás de cada sistema, existe um ser humano que vai depender dele.


Em um mundo cada vez mais orientado por dados, algoritmos e inteligência artificial, o que nos diferencia não é a capacidade de processar informação, mas a capacidade de dar sentido a ela.


A medicina pode não ter um órgão chamado alma, e a tecnologia pode não ter um campo chamado consciência


Ainda assim, ambas dependem profundamente do humano.


Do tempo vivido, do aprendizado acumulado e da responsabilidade de criar algo que impacta outras pessoas.


Em 2025, aprendemos que a tecnologia avança mais rápido do que nossa capacidade de absorvê-la.


Em 2026, o desafio será aprender a conviver com esse avanço sem perder o sentido, sem perder o cuidado e sem perder a humanidade em meio a tanta automação, dados e inteligência artificial.


Nesse caminho, pequenos símbolos dizem muito.


As imagens dos porquinhos são bastante subliminares.  😎


Elas parecem simples, quase banais, mas carregam significados que só o convívio diário revela.


Somente o nosso dia a dia será capaz de dizer o quanto isso mudou o ambiente, a forma de interagir, de aprender e de construir juntos.


Há leveza, há brincadeira, há ruído.


Mas há também algo mais profundo acontecendo.


Apesar das besteiras, a seriedade continua tomando conta dos momentos mais importantes.


Quando é preciso decidir, entregar, cuidar do outro e sustentar o que foi construído, o compromisso aparece.


E é exatamente aí que mora o valor real de um time.


Por isso, fica a homenagem a todos os novos e grandes desenvolvedores do time da tknow.


Pessoas que não estão apenas escrevendo código, mas participando de algo maior.


Gente que aprende rápido, erra, ajusta, evolui e, principalmente, mantém o respeito, a curiosidade e a ética.


Fazer parte de algo extraordinário não é apenas criar bons sistemas.


É ser um bom ser humano enquanto se faz isso.


Se existe algo que se aproxima do que muitos chamariam de alma na tecnologia, ela vive nesse tipo de gente.

+Reflexões, educativos e ideias!

Durante a seleção de estágio em tecnologia em Piracicaba, um candidato refletiu sobre a dificuldade
Por Anderson Previatti 24 de outubro de 2025
Durante a seleção de estágio em tecnologia em Piracicaba, um candidato refletiu sobre a dificuldade de encontrar entrevistas presenciais e como o contato humano ainda é essencial para o aprendizado e o crescimento.
Vaga de estágio em tecnologia - uma conversa que nos fez refletir sobre o tempo e a era digital
Por Anderson Previatti 23 de outubro de 2025
Durante uma seleção de estágio em tecnologia em Piracicaba, uma simples lembrança sobre o Windows 7 despertou uma reflexão sobre o tempo, gerações e o avanço exponencial da tecnologia.
AWS em queda - problemas operacionais que impactam softwares em todo o mundo
Por Anderson Previatti 20 de outubro de 2025
A instabilidade da AWS em 2025 mostrou que até os gigantes da nuvem falham. Entenda como falhas operacionais impactam softwares e por que a engenharia ainda é essencial.
Ver mais!